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Temas de amor

Posted in Cultura, Relacionamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 14/12/2009 by Renata Junqueira

Hoje, neste mundo que muitos chamam de pós-moderno, outros preferem hipermodernidade ou simplesmente mundo globalizado, muitos conceitos, visões e até mesmo ideais de éticas caíram por terra. Por exemplo o conceito de relacionamento afetivo, transformou-se e  aprimorou-se ao longo de milênios de uso. O texto abaixo do psicanalista Flávio Gikovate mostra de forma madura e sensível sua visão sobre o tema. 

                                                                           

Sawabona – Shikoba

Retirado do blog AssimFalouDeNardi

                                                                             

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio.

As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher.

Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante.

Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.
Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.
É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.
Cada cérebro é único.
Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo…

Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no  sul da África quer dizer “Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante pra mim”.

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é: “Então eu existo pra você”

Por Flávio Gikovate

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A relação Mestre/discípulo na tradição oriental e a incorporação desta tradição pelo SwáSthya Yôga

Posted in Cultura, Método DeRose with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/07/2009 by Renata Junqueira

Mestre e a Instrutora Renat Junqueira

A relação entre Mestre e discípulo surgiu no Oriente, e vem sendo respeitada nessa parte do globo há mais de 5.000 anos.  Esta relação de carinho, respeito e lealdade muitas vezes é mal interpretada no Ocidente, principalmente quando atrelada ao Yôga. Isso ocorre por pura falta de informação e preconceito, já que a reverência que há por um Mestre de artes marciais é bem aceita e vista até como um ato nobre e de disciplina. Porém, tratando-se de um Mestre de Yôga os ocidentais adotam uma conotação negativa de autoritarismo e idolatria.

As mais antigas escrituras hindus explanam sobre esta relação hierárquica, sem falsa modéstia, sem eufemismo ou conceitos demagógicos para cativar a opinião pública. De acordo com os Shástras tradicionais, o Mestre é para o discípulo, pai, mãe e Íshwara (deus). Segundo o Maitrí Upanishad: “Esta ciência absolutamente secreta (o Yôga) só deve ser ensinada a um filho ou a um discípulo totalmente devoto ao seu Mestre”.

No Oriente, os gurus (instrutor, professor ou Mestre), de qualquer disciplina, seja de música, dança, história, artes marciais, são muito valorizados. Eles são constantemente reverenciados e homenageados por serem aqueles que transmitem o verdadeiro conhecimento e são considerados os educadores da humanidade. O sistema de castas da Índia coloca no topo da pirâmide os brahmanes, que são justamente aqueles que lidam com a cultura, com o conhecimento, abaixo deles é que vêm os reis, os nobres, guerreiros, etc.

O Yôga é uma filosofia de vida que nasceu sendo perpetuada através do parampará (transmissão oral), de Mestre para discípulo, e era em sua origem gupta vidya (conhecimento secreto). Por isso que da pessoa que se candidata a discípulo é exigido total respeito, obediência, lealdade, fé e amor a seu Mestre. Mircéa Eliade em seu livro, Patañjali e o Yôga, diz: “aquilo que caracteriza o Yôga não é apenas o seu lado prático, mas também sua estrutura iniciática. Não se aprende Yôga sozinho, é necessária a orientação de um Mestre”.

O SwáSthya Yôga por ser um Yôga ancestral, autêntico e sério incorporou essa estrutura iniciática que Mircéa Eliade cita. É importante sabermos que o discípulo tem a liberdade de escolher seu Mestre, e a partir do momento que ele se propõe a ser um discípulo, deve aceitar, acatar e reconhecer o Mestre definitivamente e sem reservas. Nesta relação se faz necessária a reciprocidade de ambas as partes, o Mestre tem que aceitar sê-lo e o discípulo também.