Arquivo para Poema

Coração indeciso

Posted in Poesia with tags , on 12/01/2012 by Renata Junqueira

Eu queria sentir algo por ele,
Mas meu coração mandão não deixa.

Eu queria não pensar mais nele,
Mas meu coração carente não deixa!

Melhor só?
Ou melhor com quem não amo?

Melhor amar.

20120112-221318.jpg

Experiência inesquecível!

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , on 13/07/2009 by Renata Junqueira

De repente, caindo do mundo terrestre, para o submundo aquático. Tudo em Mergulho em Fernando de Noronhavolta é azul. 5m, 10m abaixo tudo começa a ficar intensamente colorido. 20m, 25m, as pedras, os corais, os peixes. Essas cores realmente existem? Um verde que nem a folha mais bela da árvore mais exótica pode ter. Um vermelho e um laranja que nem o pôr do sol do Caribe jamais vislumbrou. Roxo, amarelo e azul. Num profundo silêncio interno. A respiração cada vez mais profunda, a consciência cada segundo mais expandida, e a sensorialidade mais intensa. O simples  nadar da tartaruga encanta. As listras vermelhas, as bolinhas amarelas, e os formatos assimétricos são especiais. É engraçado achar as lulas pelos rastros de concha que elas deixam na areia. A quantidade de vida que se forma num naufrágio, numa caverna, numa laje!

Olhando para cima, para os lados, para baixo, tudo é vida. E eu respirando ali, vivendo aquele mundo. Naquele momento faço parte da cadeia. O coração começa a bater mais rápido, as bolhas ao meu redor começam a aumentar. Um peixe maior do que os outros vem em minha direção. Eu, somente eu, e o mar inteiro ali. Acalmo-me. Sim é um tubarão. Mas estou em Fernando de Noronha, não há porque se preocupar. Há alimento em abundancia. O tubarão lixa está alimentando-se e vivendo ali como numa quarta-feira qualquer.

O cardume de Paru me rodeia envolvendo-me com aquele corpo enegrecido e suas cinco faixas amarelas transversais, mostrando-me as profundezas do seu lar. Neste momento tenho certeza que se pudesse me olhar teria também as tais faixas amarelas em mim. Um peixinho lindo, metade roxo metade laranja quase passa imperceptível ao meu olhar vago. Ele era tão tímido, tão tímido que ao me ver se escondeu em sua toca. Tem medo, receio, vergonha (parece eu na primeira vez que fiquei frente a frente com uma enorme arraia, que poderia cobrir todo o meu corpo com sua manta). Será que é a primeira vez que esse lindo peixinho vê algo tão estranho como eu?

Com nadadeiras, respirando no fundo do mar, alimentando-se, e nadando com tanta leveza. O que será? Peixe? Tubarão? Arraia? Homem?
A consciência de estar num ambiente que não é o seu, em meio a uma natureza que não se está acostumado e participando da vida de seres tão diferentes. Cada um com suas determinadas características. Os golfinhos, tão brincalhões, gostam de nos acompanhar e fazer graças. As enguias tão pequeninas vivem isoladas e não gostam de companhia. Tantos peixes, tantos nomes, cores e formas.

Olhando no manômetro vejo que é hora de acordar, quero dizer de voltar. Subindo devagar para a superfície, ainda posso aproveitar os últimos instantes. Tiro o regulador Caverna aquática em Fernando de Noronhada boca. Mas o mergulho ainda não acabou, restam as lembranças que podem me levar de volta a mais de 20m de profundidade em apenas 1 segundo. Ai as lembranças…

De repente, caindo do mundo terrestre…