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Apnéia e Yôga – Origem, deturpação, transformação e enfim?

Posted in Cultura, Método DeRose with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 09/08/2009 by Renata Junqueira

Assim como o Yôga, o mergulho livre ou mergulho em apnéia teve sua proposta original completamente deturpada com o passar dos anos.

Umas das primeiras referências deste tipo de mergulho estão relacionadas a atividades para a sobrevivência do homem. Foram encontrados pinturas e desenhos de mergulho no Japão, que se imagina ser mais ou menos do ano de 4.600 a.C. Essas pinturas seriam das amas japonesas, mergulhadores e mergulhadoras que se dedicavam a colher mariscos, algas e pérolas. Outras citações antigas da apnéia incluem a pesca para alimentação e objetos valiosos para o comércio como conchas e corais.

Tratando-se do Yôga, há estudos arqueológicos que resgatam comprovações de sua existência há mais de 5.000 mil anos, ao noroeste da Índia. No início o Yôga era algo espontâneo, que vinha de dentro e se expressava através de técnicas belíssimas e dinâmicas. Era simplesmente uma filosofia de vida prática de raízes naturalista e desrepressora. Era praticada por jovens saudáveis que se motivavam em segui-la sem um motivo especifico.

 

Mas as mudanças de conceito tanto em relação a apnéia quanto ao Yôga começaram a se deturpar e a adaptar-se de acordo com a época e o poder político vigente. 4.000 anos após o surgimento da apnéia como meio de subsistência, esta prática passa a ser usada na Grécia para explorações militares e estratégias bélicas. Segundo o livro de Tulcídides, “História da Guerra do Peloponeso”, mergulhadores atenienses desenvolveram um sistema de defesa contra o ataque Espartano.

Já o Yôga deixou o nobre sentido de filosofia de vida que estimula o autoconhecimento para ser utilizado como uma prática mística e até mesmo terapêutica para terceira idade.

 

E as transformações não pararam por ai. Nos dias de hoje a apnéia é relacionada a um esporte radical, onde os mergulhadores treinam para chegar cada vez mais fundo. Os apneístas utilizam diversas técnicas e recursos modernos para aprimorar-se em suas performances.

Yôga do Itaim, ásana em frente ao rio

Vrikshásana - técnica corporal do Yôga Antigo.

Quanto ao Yôga, as deturpações chegaram a desconectá-lo completamente de sua origem, desde as técnicas, a forma de utilizá-las até o escopo. Tornou-se algo utilitário, consumista, maçante. É possível encontrar pessoas o utilizando o como ginástica, massagem, técnica para curar doença etc.

 

Por pouco estas duas práticas ancestrais não se perderam no tempo e no espaço. A apnéia ainda é utilizada por mergulhadores como uma forma de caça menos depredadora. E as amas japonesas continuam com sua forma tradicional de colher alimentos e materiais preciosos do fundo do mar.

O Yôga, graças aqueles que se dedicaram a perpetuação do Yôga Antigo, Pré-Clássico sem qualquer deturpação ou modernização, ainda existe nos dias de hoje com o nome de SwáSthya Yôga. Foi por pouco, muito pouco mesmo que a mais rica, poética e artística tradição cultura da Índia não se extinguiu.

 

Curiosidade: Muitos mergulhadores profissionais de apnéia praticam Yôga ou utilizam algumas de suas técnicas para aprimorarem-se no esporte. Focam-se principalmente nas técnicas que aumentam a capacidade pulmonar e que ampliam a consciência corporal, emocional e mental.

 

Referências: 

http://www.brasilescola.com/educacaofisica/apneia-mergulho.htm

http://www.mergulholivre.com.br/index.php?c=126&s=215&lang=16

Anna Lia A. Almeida Prado, História da Guerra do Peloponeso – São Paulo, Martins Fontes, 1999

Mestre DeRose, Tratado de Yôga – São Paulo, Nobel, 2008

 

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