A relação Mestre/discípulo na tradição oriental e a incorporação desta tradição pelo SwáSthya Yôga

Mestre e a Instrutora Renat Junqueira

A relação entre Mestre e discípulo surgiu no Oriente, e vem sendo respeitada nessa parte do globo há mais de 5.000 anos.  Esta relação de carinho, respeito e lealdade muitas vezes é mal interpretada no Ocidente, principalmente quando atrelada ao Yôga. Isso ocorre por pura falta de informação e preconceito, já que a reverência que há por um Mestre de artes marciais é bem aceita e vista até como um ato nobre e de disciplina. Porém, tratando-se de um Mestre de Yôga os ocidentais adotam uma conotação negativa de autoritarismo e idolatria.

As mais antigas escrituras hindus explanam sobre esta relação hierárquica, sem falsa modéstia, sem eufemismo ou conceitos demagógicos para cativar a opinião pública. De acordo com os Shástras tradicionais, o Mestre é para o discípulo, pai, mãe e Íshwara (deus). Segundo o Maitrí Upanishad: “Esta ciência absolutamente secreta (o Yôga) só deve ser ensinada a um filho ou a um discípulo totalmente devoto ao seu Mestre”.

No Oriente, os gurus (instrutor, professor ou Mestre), de qualquer disciplina, seja de música, dança, história, artes marciais, são muito valorizados. Eles são constantemente reverenciados e homenageados por serem aqueles que transmitem o verdadeiro conhecimento e são considerados os educadores da humanidade. O sistema de castas da Índia coloca no topo da pirâmide os brahmanes, que são justamente aqueles que lidam com a cultura, com o conhecimento, abaixo deles é que vêm os reis, os nobres, guerreiros, etc.

O Yôga é uma filosofia de vida que nasceu sendo perpetuada através do parampará (transmissão oral), de Mestre para discípulo, e era em sua origem gupta vidya (conhecimento secreto). Por isso que da pessoa que se candidata a discípulo é exigido total respeito, obediência, lealdade, fé e amor a seu Mestre. Mircéa Eliade em seu livro, Patañjali e o Yôga, diz: “aquilo que caracteriza o Yôga não é apenas o seu lado prático, mas também sua estrutura iniciática. Não se aprende Yôga sozinho, é necessária a orientação de um Mestre”.

O SwáSthya Yôga por ser um Yôga ancestral, autêntico e sério incorporou essa estrutura iniciática que Mircéa Eliade cita. É importante sabermos que o discípulo tem a liberdade de escolher seu Mestre, e a partir do momento que ele se propõe a ser um discípulo, deve aceitar, acatar e reconhecer o Mestre definitivamente e sem reservas. Nesta relação se faz necessária a reciprocidade de ambas as partes, o Mestre tem que aceitar sê-lo e o discípulo também.

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2 Respostas to “A relação Mestre/discípulo na tradição oriental e a incorporação desta tradição pelo SwáSthya Yôga”

  1. Não estou certa, mas talvez tenha um erro no terceiro parágrafo.

    Bem isso mesmo, após escolher seu mestre é necessário o sentimento de auto entrega para conseguir receber os ensinamentos dos quais nem sempre serão entendidos a primeira estancia, mas sim com vivência e auto observação!

    grande beijos Nena, continue escrevendo.

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